10 coisas que não te contam sobre a Amazônia

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A Amazônia é uma região encantadora e misteriosa.. há muitas curiosidades, fatos e coisas que não te contam sobre a Amazônia até ler este artigo! Ela é enorme, pouco conhecida e procurada pelos turistas brasileiros, infelizmente, e os gringos vem em penca para conhecê-la. Durante a minha viagem a Amazônia aprendi muita coisa e quero compartilhar com vocês, para conhecer mais do nosso país e instigá-los a visitá-la.

Na lista 10 coisas que não te contam sobre a Amazônia falo sobre alguns fatos preocupantes da região e o que você pode fazer para ajudar ou evitar algumas ações. Além disso há várias curiosidades e dicas da Amazônia.

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10 coisas que não te contam sobre a Amazônia

1 – A Amazônia é gigante e tem muita água

A Amazônia não é formada apenas pelo Amazonas. Ela engloba também Roraima, Amapá, Pará, Rondônia, Acre e Mato Grosso, além de alguns pedaços da Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guianas e Suriname.
Conforme a época que você a visita, poderá ser bem diferente. Há a época da “seca” de junho a setembro, quando chove pouco e os rios estão muito cheios. Essa é uma época legal para fazer os passeios de barco, porém é muito quente. Para quem vive lá, já complica pois fica mais difícil de capturar peixes por exemplo.

Marcas da água do ano passado
Marcas da água nos troncos das árvores do ano passado

Logo depois os rios esvaziam e as marcas escuras da água são vistas nos troncos das árvores no ano seguinte e pode ser uma diferença de até 7 metros de altura.
Essa foto abaixo foi tirada em março, no “inverno”, uma época que chove e as temperaturas são mais “amenas” (para os locais) . Percebam a quantidade de água…e vai ser muito mais daqui uns meses.

Lago Juma
Lago Juma

2 – Pernilongos e a Vacina da Febre Amarela

É extremamente recomendável tomar a Vacina da Febre Amarela antes de viajar para a Amazônia. Ela não é requisitada na hora do embarque, porém em alguns países é obrigatória assim que chega na imigração como Nova Zelândia e Austrália. A vacina é gratuita em qualquer postinho no Brasil e você pode emitir o Certificado Internacional de Vacinação online. Explico como funciona neste artigo 9 dicas sobre febre amarela e certificado online

Em relação aos pernilongos, chamados de carapanãs, não havia tantos quanto eu imaginava. Passava o repelente em creme a cada 2,3 horas (recomendo a marca OFF) enquanto estivesse na mata e usei roupas leves, estampadas e soltinhas. Cores escurtas e roupas coladas não são boas pois atraem pernilongos, principalmente a cor preta (comprovei num passeio e nunca mais hahaha). Se você vai dormir na rede na floresta amazônica, lembre de passar na bunda também pois os pernilongos não tem dó.

Se você sabe de mais coisas que não te contam sobre a Amazônia, comente!

3 – Encontro das águas

O rio Amazonas é um dos rios mais extensos do mundo e pertinho de Manaus você vê o fenômeno chamado Encontro das Águas, quando o rio Solimões e o Rio Negro se juntam e formam o Amazonas. Os dois rios correm lado a lado por 12 km sem se misturar, pois possuem densidades, velocidades e temperaturas diferentes. O rio Solimões é marrom e vem dos Andes Peruanos, enquanto o rio Negro é bem escuro e nasce na Colômbia.


Confira o roteiro em Manaus

Barco de viagem com redes
Barco de viagem com redes

As águas também servem de um meio de encontro de famílias. O principal transporte na Amazônia é o fluvial, então você verá muitos barcos para viagem com redes (de Belém a Manaus demora 5 dias!), lanchas, barcos turísticos, ambulancha, barco escolar… E sim, há vários postos de combustível flutuantes espalhados no rio.

Assista o vídeo!

4 – Comidas que você nunca viu antes

Claro que não poderia faltar comilança nesta lista de coisas que não te contam sobre a Amazônia: é a RIQUEZA DE SABORES! A comida da Amazônia é simplesmente maravilhosa e muitas coisas são bem diferentes, desde frutas, farinhas e ingredientes. Além disso, utilizam muitos peixes na gastronomia como tucunaré, pirarucu, tambaqui… Alguns deles até são chamados de “remosos”: quando são peixes gordurosos e que dificultam a cicatrização.

Eu especialmente amei o cupuaçu natural, sem misturar com doces. É delicioso comer direto da fruta, parece até um creme e ainda quero provar o chocolate feito com cupuaçu em vez do cacau.

curiosidades sobre a amazonia comida
Também provei o verdadeiro açaí, que não é misturado com guaraná ou açúcar e nem se come com sorvete ou um monte de doces nem gelado. Em Belém do Pará o açaí é servido junto com o almoço e ele complementa o sabor da carne.

Experimentei diversas coisas como sorvete de tapioca, cachaça de jambu que amortece a boca inteira, doce de leite de búfala simplesmente maravilhoso (melhor que os mineiros, me desculpa aí). Sem falar que em muitos lugares prezam pelos ingredientes locais produzidos organicamente pelas comunidades.

5 – A triste lenda do boto

O folclore amazônico é cheio de criaturas fantásticas como o boitatá, o curupira, a sereia iara e o boto sedutor. O boto sai da água em forma de humano, seduz as moças, as engravida e retorna para o rio. Essa historinha surgiu para tentar explicar os inúmeros casos de gravidez e abuso sexual infanto juvenil que normalmente vão de 9 a 15 anos. E na realidade não são botos e nem outros jovens, e sim homens sem escrúpulos que pagam pelo turismo sexual infantil e mantém o tráfico de crianças e adolescentes. As crianças são oferecidas nas balsas em troca de algo, seja dinheiro, carne ou gasolina por exemplo. Tenho certeza que este é um dos fatos mais chocantes desta lista de coisas que não te contam sobre a Amazônia.

Há ainda uma máfia gigante por trás disso, gente importante e muitas vezes envolvida com a política e empresas. Muita gente já foi assassinada tentando revelar provas ou por conectar pontos. Há uma matéria bem interessante na Folha 

6 – Há um rio maior que o Amazonas

Há 4 mil m de profundidade sob as macias do rio Amazonas, Solimões e Ilha de Marajó existe uma gigantesca porção de água em movimento que foi apelidado de rio Hamza. Alguns dizem que é um aquífero, porém ele está caminhando lentamente e segue até 150 km no oceano Atlântico, diminuindo a salinidade do mar. Pode ser o maior rio subterrâneo do mundo com 6 mil km de comprimento e a distância entre uma margem e outra do rio hamza é de 400 km. Há mais informações no G1 

7 – Exploração de animais

Em toda a Amazônia ocorre a exploração de animais, seja para o tráfico para colecionadores, matéria prima para laboratórios farmacêuticos ou mercado turístico de selfies. Muitos filhotes de papagaio são colocados dentro de canos para serem contrabandeados e vendidos no Brasil ou no exterior por exemplo como animais de estimação.

Muitas agências ilegais levam turistas ao encontro com bichos preguiças, sucuris, jacarés, papagaios, macacos e outros animais em cativeiro. A preguiça é um dos animais que sofre muito com essa exploração, já que em seu habitat natural estaria dormindo 20h por dia e do contrário precisa ficar acordada para mudar de colo a colo e tirar fotos. A National Geographic tem mais informações sobre o comércio ilegal de preguiças no Equador.

O Ibama faz inspeções regulares no Amazonas e multa empresas que oferecem contato com animais em seus pacotes turísticos, além de resgatar os animais que sofrem maus tratos como foi relatado nesta notícia. Esses esforços não são suficientes se não houver a conscientização da população ribeirinha e dos turistas em procurar agências legalizadas e responsáveis que tenham credenciamento e controle das suas atividades. Esse ponto é super importante desta lista de coisas que não te contam sobre a Amazônia!



Placas de boas práticas na interação com botos no flutuante.
Banners de boas práticas na interação com botos no flutuante.

A interação com os botos vermelhos é amplamente divulgada e agora há regras para esta atividade segundo a Resolução 28 do Conselho Estadual do Meio Ambiente do Amazonas (Cemaam). O nado com botos é feito no rio mesmo, nada de aquários, e a intenção da atividade é que o turista fique dentro da água observando o animal sendo alimentado.

Os botos devem ser alimentados com peixes frescos apenas por um facilitador autorizado pelo Ibama e apenas 5 turistas podem estar na água por até 10 min. Não é permitido tocar nos botos, gritar ou levantar os braços já que você pode machucar o animal e vice versa. Também não pode entrar com protetor solar, relógios ou anéis e tentar ficar a 1 m de distância (o que pode ser meio complicado já que há ondas no rio).

É exigido uma distância mínima de 50km entre os locais que exploram essa atividade e 3 dias de descanso por semana para os animais. Veja mais no O Eco

8 – Contato com tribos indígenas

Em alguns passeios há a oportunidade de conhecer uma tribo indígena, no entanto sempre há o questionamento se essas pessoas realmente desejam essa interação. Quando visitei a tribo Dessana Ticuna em Manaus durante o Day Tour, o pajé falou que a tribo se aproximou de Manaus para viver do turismo e mostrar alguns costumes e tradições ao visitantes.

Muito amor na Aldeia Indígena Ticuna
Muito amor na Aldeia Indígena Dessana Ticuna

A vida das tribos na selva não é fácil gente, eles não vivem da “ajuda da Funai”. Ou seja, eles querem essa interação e precisam dela para sobrevivência, já que uma parte do que você paga a agência é repassada a eles para compra de alimentos. Por essa razão, procure uma empresa séria! Também vale ressaltar que o artesanato é a outra fonte de ganho deles, então se puder comprar alguma coisinha, irá ajudar muito, e se entregue! É uma experiência muito legal ouvir as músicas, dançar junto, pintar o rosto, comer formiga e conversar com eles. É essa troca de conhecimento que faz a sua viagem mais rica. É uma das coisas que mais guardo com amor no coração.

9 – A maior ilha fluviomarítima do mundo e os 600 mil búfalos

A ilha de Marajó fica a 3h de barco de Belém do Pará e possui 40 mil km², sendo banhada pelo rio Amazonas, rio pará e Oceano Atlântico. Há resquícios de habitantes entre os anos 400 e 1300 que produziam arte e modelagem em argila com a produção de cerâmica marajoara, cultivo e manejo da mandioca.

Búfalos nadando e cerâmica marajoara
Búfalos nadando e cerâmica marajoara

Em torno de 600 mil búfalos vivem na ilha, o maior rebanho do Brasil, e 4 espécies diferentes. Diz a lenda que houve um naufrágio e os búfalos nadaram até chegar na ilha, gostaram e começaram a se reproduzir. Os búfalos são animais muito fortes, ótimos nadadores e fazem parte do dia a dia dos locais, sendo usados para tudo na ilha: alguns para transporte, outros na produção de leite e alguns viram alimento e utilizam a carne, ossos e couro.

10 – Águas quentinhas

O último item desta lista de 10 coisas que não te contam sobre a Amazônia é sobre os rios! Os rios da Amazônia normalmente são mais quentinhos do que a gente imagina, não são gelados como muitos rios por aí. Quando nadei no lago Juma, as águas eram muito escuras e dão a impressão que a pele fica vermelha (como nos botos). Você não enxerga a partir do seu joelho, pode ser que cobras, botos e outros animais estejam nadando abaixo de você. É uma sensação bem louca!

Praia de Pesqueiro na Ilha de Marajó
Praia de Pesqueiro na Ilha de Marajó

Além disso, na época da seca, há inúmeras praias de rio e uma das mais famosas mundialmente é em Alter do Chão no Pará. Eu fui na praia de Pesqueiro na Ilha de Marajó e gostei bastante, porém tome cuidado para não pisar em arraias, comuns na região. Em Manaus também há algumas praias para aproveitar o verão como Praia da Ponta Negra e da Lua.

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10 coisas que não te contam sobre a Amazônia

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Travel blogger e designer aspirante à muitas coisas e com PhD em zuera, não dispensa uma aventura cheia de desafios e tragédias. Nas horas vagas joga games, canta e planeja as próximas viagens.

11 COMENTÁRIOS

  1. Excelente seu post! Estive na Amazônia ano passado e foi uma das melhores viagens da minha vida! A parte da exploração e tráfico de animais e abuso infantil realmente é triste. Importante que informações assim sejam conhecida pela população a fim de mobilizar o governo e órgãos de proteção! Parabéns pelo relato.

  2. Oi Angie!

    Visitei a Amazonia há muitos anos e achei seu post extremamente interessante – e importante. Achei muito legal descobrir que agora os botos estão comecando a ser mais “cuidados” (quando eu fui, não havia nenhum cuidado ou restricao sobre o contato com os botos) e não tinha pensado nesse lado da lenda que envolve os mesmos, realmente muito triste 🙁

  3. Meu deeeeus, a Amazônia é mto sensacional. Conhecer é um sonho antigo… Não posso acreditar que o nosso governo e o ser humano em geral esteja tão foda-se pra esse que é um dos biomas mais importantes do planeta Terra. Que raiva! Ah, e quero experimentar tudooo!

  4. Infelizmente existem seres humanos capazes de tudo. Fazerem o que estão a fazer a um dos lugares mais bonitos do planeta terra é surreal. Parabéns pelo seu trabalho

  5. Esse posta está incrível! Muito bom todas as informações que você passou sobre A Amazônia. Já conhecia várias delas mas porque fui pra lá! Me preocupei muito em não fazer enhuma atividade que envolvesse animais e acabei não indo visitar uma tribo indígena mas gostaria de ter ido nessa que você foi! Pareceu demais!

  6. Muito triste essa questão da exploração sexual, e a dos animais também… Infelizmente, são problemas que ocorrem em muitas partes do mundo, em especial em países/regiões pobres…
    É muito importante pensar o que nós podemos fazer como viajantes para não aumentar o impacto negativo nesses lugares e até mesmo a ajudá-los a desenvolver um turismo consciente e sustentável. Parabéns por levantar essas questões!

    • obrigada, fico feliz que gostou. não é fácil mostrar esse lado, claro que acontece em outros destinos também. mas muitas vezes a gente não ve e passa despercebido. a melhor forma é a informação e tentar ajudar a comunidade 🙂

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